sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ponyo - Uma amizade que veio do mar

Uma inocente e onírica história de amor 



Direção: Hayao Miyasaki 
Título original: Gake no Ue no Ponyo 
Duração: 101 min 
Idioma: Japonês 
Lançamento: Jul/10 

Ponyo é uma daquelas obras que te deixa sem saber se alguns elementos "estranhos" do roteiro são uma intenção deliberada do autor ou simplesmente um daquelas pequenas idiossincrasias culturais tão difíceis de se compreender e aceitar naturalmente. Não que haja qualquer coisa essencialmente bizarra ou incompreensível, mas sim pequenos detalhes, diálogos deslocados, reações aparentemente desconexas dos personagens, um distaciamento da estrutura narrativa com que estamos acostumados. 

Um estranhamento constante me aflige, como se meu cérebro estivesse procurando uma lógica familiar e não consegue encontrá-la. Elementos corriqueiros parecem impróprios: minha dificuldade em estabelecer a relação entre os personagens - se eles são realmente mãe e filho, uma vez que só se chamam pelo primeiro nome e tem uma relação um diferente da que estou acostumado; algumas atitudes que parecem ser rudes em algum momento, mas que os outros personagens parecem alheios a elas ou mesmo as declarações de amor eterno e aceitação mútua de crianças de cinco anos que para nossas cabeças ocidentais parece mais adequada a adultos. 

Em um nível ainda mais amplo e, por isso, mais intrigante, o grande desafio que os personagens principais enfrentam parece encolher-se e sua mecânica (ou as regras) não parecem ficar clara em qualquer momento. O próprio destino da humanidade e a catástrofe iminente é diminuída perto do relacionamento dos pequenos. É possível que outras crianças da mesma idade não terão esses mesmos sentimentos, já que para elas esse esquema pode ser justamente a lógica esperada (pontos para Myiaki se essa tiver sido sua intenção). 

O ritmo também não lembra nem um pouco as frenéticas animações americanas como Shrek ou Toy Story e Miyasaki deixa tempo suficiente para o expectador apreciar suas paisagens, suas cores de fundo, o bailado de traços na tela e perde menos tempo com a ação em si. O prazer de ver essa animação vem muito menos do riso e da adrenalina e muito mais de um voyeurismo natural - aquele prazer de sentar-se em um parque e simplesmente observar as pessoas e a maneira como elas se relacionam - nos pequenos detalhes, nos gestos mais simples e na cumplicidade absoluta. 

Alguns elementos, como em outros trabalhos de Myiasaki, são desenhados de maneira quase primária, pois não é a destreza dos traços que importa, mas sim para que eles são utilizados. Assim ondas tão simples quanto um par de curvas tornam-se um emaranhado onírico de um azul-escuro ameaçador e, em um dos melhores momentos do filme, a "rabiscada" Ponyo ganha um porte poderoso e dinâmico enquanto plana velozmente sobre as ondas e persegue o carro que dança pelos penhascos fugindo da tsunami. 

Ponyo é muito mais leve que e não alcança a beleza simbólica e fantástica de A viagem de Chihiro, mas está certamente muito acima de outras animações ocidentais recentes (ainda que seja injusto compará-las, já que se propõe a estilos completamente diferentes). Ponyo é uma pausa merecida para respirar, um filme que te permite mergulhar no prolongado e estroboscópico silêncio da sequência inicial ou desfrutar do distanciamento que uma língua indecifrável pressupõe (não há nem discussão, quanto assistí-lo no idioma original ou dublado). 

Enfim... fascínio, escapismo e inocente divertimento garantidos. 

Futurama S06E01 a S06E07

Boas idéias nem sempre engraçadas

Futurama tem uma história conturbada de cancelamentos e mudanças de canal. Passou por quatro temporadas na Fox, sendo que a última foi transformada em duas. Depois, passou a ser exibido em longa-metragens pelo Comedy Central, quatro deles. E agora, finalmente, o próprio Comedy Central resolver voltar ao formato seriado. 

Futurama continua a ser produzida por Matt Groening e David X. Cohen, respectivamente também criador e ex-roteirista de Os Simpsons. E os personagens (Fry, Leela, Bender etc.) continuam basicamente os mesmos, assim como o estilo satírico e paródico. 

Futurama é sempre divertida, ainda que não te faça realmente rir como Family Guy ou American Dad. O show sempre aparece com algumas idéias  interessantes e até consegue que algumas delas fiquem mais tempo amadurecendo na sua cabeça. 

Mas vamos a essa nova temporada: no primeiro episódio, Rebirth, eles trazem de volta os personagens com uma explicação rocambolesca para todas as inúmeras mudanças anteriores (canais e formatos). Para fechar, o episódio trata sobre clonagem e identidade pessoal de uma forma ainda mais complicada do que qualquer filme sobre esses assuntos já tenha feito.  

Em, In-A-Gadda-Da-Leela, o segundo episódio, o alvo é o falso puritanismo americano: um satélite chamado V-Giny vai destruir a terra por causa de seus programas de TV depravados. Fora da Fox, Futurama pôde começar a tratar mais explicitamente seus temas mais "controversos" e usar uma palavreado mais "livre". Esse é o primeiro episódio a mostrar essas mudanças.

Em Attack of the Killer App, os zumbis-clientes da Apple, o hype desmedido pelo Twitter e a efemeridade de fenômenos instantâneos como Susan Boyle são a piada da vez. Já Proposition Infinity sacaneia o conservadorismo americano em relação ao episódio da Proposição Oito que permitiria o casamento gay na Califórnia. 

Lethal Inspection é uma sátira aos filmes de "descoberta da mortalidade", onde a descoberta da fragilidade humana leva a personagem a apreciar mais a vida e cada um dos seus momentos. Interessante nesse episódio é que ele foca em uma dupla que ainda não tinha "trabalhado junto" antes: Bender e Hermes, o burocrata.

Dan Brown é a vítima de The Duh-Vinci Code onde os seus excessivamente elaborados roteiros são ridicularizados sem muito esforço. E, finalmente, The late Philip J. Fry faz o que Futurama faz de melhor: levar a níveis absurdos os temas mais rocambolescos e paradoxais da ficção científica: nesse caso as viagens no tempo.

Futurama voltou a ser meus vinte minutos semanais de diversäo bem elaborada e com conteúdo. Continuo seguindo essa sexta temporada e torcendo para que ela agora garanta uma vida longa à série sem tantos percalços.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A ilusão da alma - Eduardo Gianetti

Sobre cérebros e almas


A nova investida literária de Eduardo Gianetti (autor de ótimos livros como O valor do amanhãFelicidade e Auto-engano) é para aqueles leitores que sentam em uma mesa de bar e algumas poucas cervejas depois já estão acaloradamente discutindo se vivemos na "Matrix", ou se o mundo que cada um enxerga é o mesmo, ou se efetivamente existe realmente um mundo para ser enxergado? 

Se a existência de um "eu" ou a natureza da realidade ou onde nasce o pensamento interessam minimamente a você, a nova investida de Eduardo Gianetti pode ajudar na empreitada de queimar alguns neurônios com esses amados assuntos sem real praticidade ou na tentativa de responder perguntas que nunca terão respostas definitivas (mas também dificilmente deixaremos de discutí-las).  



Talvez o pedante, prolixo e de tempos em tempos arrogante narrador seja irritante o suficiente para fazer com que o leitor abandone o livro já nas primeiras páginas, porém aqueles que conseguirem ignorar os comentários mais pessoais e concentrar-se na lógica e na argumentação bem estruturadas ou, melhor ainda, nos intrigantes exemplos, estudos e experiências que são citados serão recompensados com uma ótima experiência filosófica. 

O livro tem letras grandes, espaçamento considerável , o texto flui fácil e os capítulos são pequenos e em grande parte auto-contidos, então, depois de apenas algumas poucas horas de discussão, o leitor vai terminar com bastante combustível para futuras discussões sobre o significado da vida, do universo e tudo o mais (royalties para Scott Adams). 

terça-feira, 27 de julho de 2010

Memphis Beat S01E06 - "Run On"

Muita cor, muita música e pouca história


Mais um crime em Memphis, mais uma "celebridade" local envolvida. Dessa vez entramos no mundo undergroud do Boxe. Atleta é espancado e suspeita recai sobre o agente, mas conforme a trama segue, novas pistas vão levando tediosamente a diferentes personagens e "tipos" locais. 

A subtrama envolve Sutton (DJ Qualls) buscando uma paixão de infância para quem ele nunca teve coragem antes de declarar seu amor. Fica difícil ter certeza se era para ser uma passagem dramática ou cômica porque o seriado não consegue se decidir entre as duas, no final acaba simplesmente sendo sem-graça.

O episódio mais sem-graça em termos de enredo até o momento, mas provavelmente o melhor em termos de música e o que mais abusou de cortes com imagens da cidade. Eu gostaria até de parar de acompanhar a série, mas para quem já chegou até aqui, o que são mais alguns episódios?

Mais detalhes sobre as locações, músicas e referências podem ser encontrados nessa resenha aqui.

domingo, 25 de julho de 2010

Scoundrels S01E05 - "Yes, Sir, Yes, Sir, Three Bags Full"

Passeio pelo deserto

Certamente é um mau sinal quando você percebe que só está querendo ver o episódio de uma série para poder checar a paisagem e as locações. É quase como ficar ansioso para ver o filme ganhador do Oscar de melhor fotografia. Se não há conteúdo para acompanhar, são só imagens agradáveis sem consequência. 

Foi essa a minha sensação com o episódio de hoje de Scoundrels. As únicas coisas que realmente me empolgaram foram a paisagem que pode ser apreciada das janelas da mansão da família Hong, os flashes com externas de Palm Springs, o céu infinito do deserto na cena com o trailer de Sparky.

A história em si foi muito rasa e com pouco a destacar. A subtrama de Hope com os vídeos piratas foi a que chegou mais próxima de representar algum avanço ou mudança de status para um personagem. O debut de Heather como stripper ou a trama paralela de Logan e Cal onde nada efetivamente acontece são pura perda de tempo e beiram perigosamente os limites do Pastelão.

Scoundrels já passou da metade da temporada e efetivamente não conseguiu achar um nicho nem no drama, nem na ação e nem na comédia, deixando a desejar em qualquer um dos estilos. Assim como Memphis Beat, vou continuar até o final dessa temporada, mas a não ser que haja uma mudança repentina e extrema de direção, vou procurar por outra fonte de imagens do deserto californiano.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Memphis Beat S01E05 - "One night of sin"

Menos Memphis e Menos Beat


Memphis Beat vem colecionando "participações especiais" nos últimos episódios. O único problema é que quando elas aparecem, você meio que já espera que ela ou vai ser o assassino ou algo muito próximo disso. O convidado da vez foi Giovanni Ribisi (o irmão da Phoebe em Friends) no seu papel básico de weirdo-super-freak.

O elemento Memphis desse episódio foi a família de cantores e músicos country, cuja morte da matriarca é logo seguida pelo suposto suicídio do empresário. Entre filhos ilegítimos e incestos, a trama segue sem nada de muito inovador ou genial e uma subtrama envolvendo o parceito de Hendricks (Whitehead) não vai a lugar algum.

Tanto Memphis (única locação diferente foi o teatro antigo da cidade), quanto Beat (só uma canção de Elvis) estavam em baixa nesse episódio. Com isso, as deficiências da série ficam mais aparentes: ainda que a investigação de cada episódio seja minimamente interessante, não há nenhuma trama maior sendo desenvolvida para te fazer esperar pelo próximo episódio. 

Agora que já cheguei na metade da temporada, vou seguir em frente, mas não devo embarcar na segunda.

domingo, 18 de julho de 2010

True Blood S03E05 - "Trouble"

Engatando a segunda

True Blood finalmente desencantou e mesmo as tramas mais dormentes começaram a dar sinais de vida. O fluxo ininterrupto de novos personagens entrando inesperadamente na história também parece ter finalmente estabilizado. Daqui para frente, pode ser que tenhamos só episódios tensos no nível a que fomos acostumados a esperar da série.

Franklin continua a ser o grande destaque. Todas as cenas dele, sem exceção, são impagáveis. Elas conseguem juntar humor com um sentimento imininente de perigo. Você realmente fica preocupado com o que vai acontecer com Tara (mesmo ela sendo uma mala) e torcendo para ver mais cenas com ele (aquela com o celular é fantástica).

A subtrama da família de Sam também começou a mostrar que pode em algum momento embalar quando descobrirmos que eles são muito piores do que aparentam. Apesar de ser o que todo mundo espera dessa história, faltou deixar isso transparecer o mínimo que fosse como foram fazendo com Maryann na temporada anterior.

Apesar de estranha e ainda muito indefinidia, a relação Crystal-Jason é uma promissora e bem-vinda mudança pra longe do esquema "quero-ser-policial-mas-sou-burro-demais-para-isso". A princípio parece estranha a obsessão de Jason pela garota (dado o histórico de "pegador" e as mulheres que já passaram pela cama dele), mas talvez seja algo similar com a obsessão de todos os outros homens da trama por Sookie.

Eric ganha uma trama um pouco capenga de vingança e um flashback posicionando-o como príncipe viking ou algo que o valha. Somada à sua participação na segunda guerra mundial, parece difícil acreditar que o cara terminou no comando de um inferninho numa cidadezinha de merreca no interior da Lousiana, mas vamos deixar essa passar direto.

Finalmente, a protagonista da série, Sookie, volta aos holofotes depois de passar os últimos episódios arrastada pelo roteiro de um lado para outro sem nada significativo para contar. Mais um passo na direção certa. True Blood subiu uma marcha e agora é só torcer para que não ponha o pé no freio na próxima semana.

Scoundrels S01E04 - "Where have you been, Charming Billy?"

Dentro e fora da cadeia o tempo todo

Quando Scoundrels começou eu nem entendia muito bem porque David James Elliott era citado como parte fixa do elenco ou porque ele tinha destaque nas fotos de divulgação. Afinal, a própria sinopse da série era justamente que a família West ia tentar se endireitar depois que ele, o patriarca, fosse para a prisão logo no começo do primeiro episódio.

Contudo, ele continuou exercendo sua influência de dentro da prisão e tendo bastante tempo em cena em todos os quatro primeiros episódios. Nesse último, ele simplesmente fica fora da prisão o tempo inteiro. Por quanto tempo eles ainda vão conseguir manter isso? Tudo bem que ele é praticamente o principal empecilho para que os planos de Cheril se concretizem (como ela mesma concluiu no final do episódio), mas a situação já está começando a ficar forçada.

Fora isso, no geral, o episódio continuou no nível "divertido, mas nada de especial". Heather seduz o oficial da condicional para manter o pai fora da cadeia por mais algumas horas em algumas cenas engraçadinhas, mas sem nada de novo. De outro lado, a trama de Hope não engrena direito, porque nem ela, nem o amigo Russell se firmaram como boas personagens o suficiente para que nos importemos com a relação dos dois.

O mais engraçado, no entanto, é ver a jornada dupla de Patrick John Flueger no papelo dos gêmeos. O ator está se esforçando e conseguindo separar as duas personagens sem ter que apelar para caricatura completa. Contudo, o melhor é perceber que a Globo dá um banho de qualidade na ABC na hora de colocar um ator na tela interpretando dois irmão gêmeos sem precisar apelar por dublês o tempo todo.

Sigo sem muita empolgação à espera do próximo episódio...

Princípe da Pérsia

Magia, estética e acrobacias

Console: Playstation 3
Desenvolvedor: Ubisoft Montreal
Gênero: Ação, Aventura, Plataforma

Finalmente, resolvi tirar a mão do bolso e comprar um Playstation 3. Na verdade, fiz isso no último trimestre do ano passado, mas só agora estou resenhando o jogo com que estreei o novo brinquedo: Princípe da Pérsia.

A grande "novidade" em relação à fantástica trilogia do Playstation 2 - já está na minha lista de compras o pacote com os três jogos remasterizados em HD que foi lançado recentemente - é a presença Elika, uma nova personagem que auxilia o príncipe em suas acrobacias e é ao mesmo tempo o mecanismo impedindo que ele morra. Essa "imortalidade" garante fluidez ao jogo, mas o torna menos um desafio e mais um passeio pelos fantásticos e deslumbrantes mundos desenhados pela Ubisoft.

A dedicação da equipe de criação com a beleza dos cenários é tão grande que alguns dos possíveis troféus disponíveis (todos os jogos do PS3 possuem troféus que são adquiridos quando se realiza algo no jogo, como "matar X inimigos com a arma Y", "finalizar o jogo na dificuldade Y" etc.) são ganhos ao se conseguir encontrar a melhor "vista" em cada um dos cenários, ou seja, colocar o seu personagem em algum ponto em que a câmera se posicione para lhe dar a visão mais embasbacante daquele local específico.

Ainda que a fluidez e qualidade gráfica sejam valiosos pontos positivos, o jogo está longe de ser perfeito. Para começar, ele não é dos mais longos e com no máximo umas dez horas é possível chegar ao final da história, se esse for seu único objetivo - você pode, no entanto, estender a jogatina, buscando completar as "missões" necessárias para ganhar os troféus.

Além disso, O jogo fica repetitivo depois de um tempo, porque apesar dos cenários serem deslumbrantes, o deslocamento por eles é muito parecido e fica a impressão de que você sempre está perambulando pelo mesmo "esqueleto" e só as cores e objetos do cenário é que mudaram. Os chefes de fase são ainda piores, porque, além de exigirem muita paciência e uma interminável "apertação" de botões, todos são extremamente similares.

E, no fim, fica a sensação de que Príncipe da Pérsia não exige muita experiência ou habilidade porque, aparte uma ou outra etapa, tudo resume-se a pegar o "timing" com um ou dois botões e simplesmente curtir o visual quase que em "piloto automático". Fácil demais para jogadores experientes, mas ainda assim uma experiência válida. O grande desafio, no fim, acaba sendo encontrar todas as 1001 sementes de luz e explorar cada canto possível dos cenários.

Resumo da aventura: visualmente estonteante, com roteiro e personagens convincentes, mas jogabilidade extremamente comprometida pela repetição, especialmente nos combates, Princípe da Pérsia vale pelo entretenimento, mas como desafio deixa bastante a desejar.

sábado, 17 de julho de 2010

Persons Unknown S01E06 - "The Truth"


What the f#@$?! 

Sabe-se lá o que aconteceu da semana passada para essa com os roteiristas de Persons Unknown. Quando eu imaginava que a série estava pegando a estrada certa, vem uma derradapada desastrosa como esse. A equipe tirou férias e os estagiários tomaram conta? 


Ok. Na cidade até que as coisas seguem bem e a sequência com Joe funciona. Mas é a única coisa que funciona em todo o episódio. As outras personagens agem aleatoriamente, naquele nível tosco em que o próprio roteirista reconhece e verbaliza o ridículo do seu texto por meio das próprias personagens. Quando uma delas não está destruindo coisas no salão em uma das cenas mais sem sentido até o momento, as outras estão falando de reagentes químicos, venenos e antídotos como se estivessem discutindo sobre o cardápio para o jantar. 


Toda a sequência com Renbe e Damatto é ridiculamente mal executada. Tomadas de ação toscas e desnecessárias, personagens aparecendo do nada, diálogos forçados, atuações beirando o patético. O que foi aquela cena com os mafiosos fugidos do outdoor da Dolce & Gabanna? Tem como ser mais tosco? 


E o final? Uma lata de anticongelante gigantesca que parecia ter saído direto de uma fábrica ACME. Poderia ser mais sutil? 


Constrangedor...

PS. - Para não dizer que não sou justo, há seres na net que não pensam como eu e você pode ler algumas resenhas mais favoráveis aqui e aqui.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Memphis Beat S01E04 - "Polk Salad Annie"

Ainda falta carne nessa grelha


Memphis continua sonora (Jonny Cash!), colorida e pitoresca e nesse episódio somos lembrados que ela é também, como todo o resto do interior dos EUA, profundamente carnívora. O churrasqueiro Fat Red é uma celebridade local e o Beale Street Barbecue Festival enche a cidade de turistas para saborear as diferentes especialidades de carne na brasa pelas ruas de Memphis.

O roteiro envolve uma tentativa de assassinato e foca menos no "quem-foi" dos outros episódios e mais em como pegar o bandido. O personagem de DJ Qualls ganha destaque e o ator consegue ganhar um ponto a mais pra série. 

Temos mais uma participação especial para desviar a atenção da falta de persoagens mais fortes no elenco fixo (apesar dos bons atores). Agora é a vez de Melanie Lynskey (aquela garota meigamente estranha de Two and a half men) aparecer como se fosse uma ponta e você logo ter a certeza de que o personagem dela vai ter importância na trama... E não dá outra.

Minha origem "caipira" sempre me faz, no mínimo, simpatizar por qualquer série, filme ou coisa do tipo que venha acompanhada daquele inconfundível sotaque sulista, música country e personagens peculiares - ainda que exista um abismo cultural entre o interior dos Estados Unidos e o do Brasil, várias semelhanças são inegáveis. Contudo, Memphis Beat precisa realmente botar mais carne nesse churrasco se estiver querendo que a festa vire a noite pruma segunda temporada.

Para uma avaliação de todos os detalhes relacionados à Memphis, clique aqui.
Para uma ponto de vista mais favorável e "lusitano" do episódio, clique aqui.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Siege - One-Shots



Captain America

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Christos Gage
Arte: Federico Dallocchio

Uma história que poderia ter sido lançada sob qualquer outra forma e não tem qualquer relação com Siege em si. Bucky e Rogers enfrentam um vilão genérico (tanto que nem me lembro mais qual era) que fez uma garota como refém. A idéia é mais uma vez vender Bucky como um Capitão América para a nova era. Gage de Thunderbolts e Avengers: The Inititative me surpreende mais uma vez com uma ótima abordagem dos dois personagens.

Spider-Man

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Brian Reed
Arte: Marco Santucci

Venom vs Homem-Aranha em um necessário conflito final no apagar das luzes de Reino Sombrio (faltou Daken vs Wolverine). Uma luta e não mais do que isso, que ficaria pesada demais se fosse agregada à série principal e irrelevante demais se fosse resumida a uma página. Leve e sem muitas consequências.


Loki

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Jamie McKelvie

Loki sendo Loki e fazendo mais uma das suas rocambolescas maquinações. Muita informação em uma só edição, mas uma história interesante que contém pelo menos um fato relevante para o evento em si e também para a continuidade Marvel como um todo: Hela volta a ter um "inferno". Arte limpa e eficiente de McKelvie.

Young Avengers

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Sean McKeever
Arte: Mahmud A. Asrar

Uma daquelas edições paralelas que ajuda a dar à Siege a sensação de evento épica que impacta a maioria das personagens do Universo Marvel. Ótimas interações entre os Jovens Vingadores, especialmente Patriota e Gaviã Arqueira. Não é o melhor dos one-shots, mas pelo menos é o que mais parece ser parte do evento.

Secret Warriors

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Jonathan Hickman
Arte: Alessandro Vitti

Com a morte de Ares durante o Cerco, Phobos decide ir atrás do homem que supostamente permitiu ou ordenou que o conflito acontecesse: o presidente dos Estados Unidos. Não li ainda Secret Warriors, mas um garoto que parece nem ter atingido a puberdade sair matando dezenas de guarda-costas e seguranças (pelo menos foi o que pareceu) é uma evolução um tanto duvidosa para a personagem (mesmo sendo o Deus do Medo). Há também um momento reencontro entre Steve Rogers e Nick Fury bem bacana, mas que simplesmente não precisava ter acontecido durante Siege. Arte e diálogos sólidos, mas ainda um pouco em dúvida sobre as escolhas do roteiro.

The Cabal

Editora: Marvel Comics
Publicação: Fev/10
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Michael Lark

Ótimo prelúdio para o evento. A Cabala se encerra com a saída apoteótica e explosiva de Destino. Um dos últimos pilares a sustentar Norman no poder desaba e agora falta pouco para o fim do Reino Sombrio. Ótimo texto, arte sólida.

The Sentry - Fallen Sun

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jul/10
Roteiro: Paul Jenkins
Arte: Tom Raney

Faltou ser um pouco mais "gráfico", afinal de contas isso é uma revista em quadrinhos, não um livro. Ao invés de desenhar os rostos das personagens manifestando seus sentimentos por Sentry, Tom Raney poderia ter usado mais imagens para ilustrar o que elas falavam. No resto, ótimo tributo de Paul Jenkins a uma de suas melhores criações.

domingo, 11 de julho de 2010

True Blood S03E04 - "9 Crimes"

Nove crimes?

Alerta: o texto abaixo pode conter revelações não desejadas desse episódio que ainda não foi ao ar no Brasil.

Nesse episódio, Sookie vai com Alcide à cerimônia de noivado (ou coisa que o valha) da ex-noiva dele. Não me importo com Alcide, não sei quem é ele, e me importo muito menos com sua ex-noiva mala e junkie. Para piorar, o ator que interpreta Alcides é muito ruim, nível "Cigano Igor" e visivelmente só foi contratado para aparecer sem camisa em toda e qualquer oportunidade.

Em tese, no entanto, eu deveria sentir algo pelo pé-na-bunda de Sookie, mas qual a chance de ela desistir de continuar atrás de Bill? Qual a chance de que eles não terminem a temporada juntos de volta a Bon Temps? Ao invés de continuarem com a busca dela por Bill, o roteiro criou esse "interlúdio" para gastar mais tempo com seus lobisomens e provavelmente colocar mais um vértice no polígono amoroso de Sookie e Bill (que já tinha Eric em uma das pontas). Enrolação pura...

As tramas de Sam, Jason e Lafayette seguem em passo de tartaruga e, por enquanto, não mostraram a que vieram. A de Sam ainda tem chances de virar alguma coisa, mas as outras duas não parecem ter qualquer indício de algo minimamente interessante no horizonte. Mais enrolação...

Agora, Pam sendo ameaçada de morte depois que os negócios escusos de Eric e a Rainha foram descobertos pelo Magistrado finalmente colocou alguma tensão e uma ameaça real a uma personagem com a qual eu realmente me importo. Além disso, Franklin e Tara continuam sendo a trama que está se desenvolvendo com mais velocidade e é o que há de melhor nessa temporada.

Apesar de esse episódio ter sido nanometricamente melhor que o anterior, True Blood está virando uma série para assistir por inércia. Não fico ansioso pelo próximo episódio e nem o assisto logo que vai ao ar. Afinal, não tem nenhuma história sendo contada, então não há nada pelo que esperar. Coisas acontecem o tempo todo, mas por mais cool que elas sejam, só geram interesse enquanto estão acontecendo. Logo que o episódio termina você fica com a sensação de que nada aconteceu.

Quem sabe na próxima semana a trama engata?

PS.-Afinal quais foram os nove crimes do título do episódio?

Scoundrels S01E03 - "Liar, Liar, Pants on Fire"


Explorando o potencial 

Scoundrels deu um passo na direção certa com esse terceiro episódio ao explorar com bom humor o manancial de conflitos potenciais que a premissa da série proporciona. As diferenças ideológicas entre Wolf e Cheryl transformam o marido em um "inimigo íntimo" (provavelmente o nome do personagem não é aleatório), a guerra entre Logan e seu concorrente no escritório de advocacia inserem o personagem no contexto da série e a implicância eterna entre as diametralmente opostas irmãs Hope e Heather são sempre uma oportunidade para diálogos afiados. 

Inesperadamente, as melhores cenas do seriado até o momento vieram justamente da "ovelha branca" da família, Logan. O filho "certinho" dos Wests, usando de táticas "heterodoxas" para resolver seu feudo com um colega de trabalho, mostrou que não é tão diferente assim do resto do clã e que a malandragem está realmente no sangue. As novas camadas do personagem são muito bem-vindas para torná-lo mais humano e deixá-lo mais próximo do universo dos outros personagens sem deixar de agir como contraponto.

Scoundrels é uma série simpática e com potencial que está ficando melhor conforme vamos passando mais tempo com as personagens e nos acostumando com elas.

A Era do Gelo 3

Buck, a Doninha

Direção: Carlos Saldanha
Titulo Original: Ice Age 3 - Dawn of the Dinosaurs
Duração: 94 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jul/09

A Era do Gelo 3 tem um segundo nome e não é "O despertar dos dinossauros" e sim, "Buck, a Doninha". Ela é a grande sacada e a protagonista de praticamente todas as melhores cenas dessa sequência do sucesso da Fox. Não sei como é na versão dublada, mas a atuação inspirada de Simon Pegg, aquele inglês de Shaun of the Dead e Spaced, aliada às referências a filmes no estilo "Senhor dos Anéis" e às suas falas insanas e sem sentido garantem que o filme não fique só nos dramas e dilemas sem graça dos três personagens principais.

Apesar de outras ótimas referências à cultura pop em geral e das divertidas cenas com o esquilo(?) espalhadas ao longo do filme, Era do Gelo 3 é uma animação muito mais ingênua e mais propensa a arrancar sorrisos e não risadas que suas concorrentes da Dreamworks como Madagascar e Shrek e também não tem o refinamento técnico, a criatividade e a sensibilidade das da Pixar como Procurando Nemo, Toy Story, Monstros S.A. e Up.

Enfim, a Fox ainda vai precisar comer muito feijão com arroz para sair do óbvio e balancear melhor drama, ação e comédia nos seus roteiros. Porém, não entenda isso da maneira errada, pois Era do Gelo 3 é uma ótima animação, muito acima da média, que vale certamente a pena conferir. O único problema é que a Pixar e a Dreamworks levantaram muito a barra nessa competição e a Fox não consegue alcançá-las em nenhum dos principais quesitos (roteiro, animação, diversão).

O dia em que eles começarem a ousar mais e adicionar ao apuro técnico de seus artistas o humor inteligente, rápido, absurdo e politicamente incorreto de seus ótimos Simpsons, Family Guy e American Dad, ela rapidamente vai se juntar aos outros dois estúdios no panteão da animação.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Shrek para sempre


Quando o suficiente é suficiente

Direção: Mike Mitchell
Título Original: Shrek forever after
Duração: 93 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jul/2010

Era uma vez uma animação inovadora com personagens carismáticos e convincentes, roteiro instigante e uma abordagem agradavelmente satírica sobre os modelos pré-estabelecidos dos contos de fadas. Veio o tempo e a ganância e, no fim, a nova aventura de Shrek tem tudo, menos os elementos inovadores que o tornaram um sucesso anos atrás. 

Tentando espremer até os últimos centavos que poderiam brotar da franquia, a Dreamworks lança o quarto (e último?) filme sobre o simpático ogro e entra em território bem conhecido de séries cujo tempo de vida se estende mais do que deveria - como acontece normalmente nos quadrinhos - partindo pra via fácil da realidade alternativa. 

Pegar personagens conhecidos e colocá-los em um ambiente diferente com o bönus de poder divertir-se em evocar os elementos mais familiares da realidade normal é uma das ferramentas mais preguiçosas que um roteirista tem a sua disposição. Pode-se contar a estória com o máximo de liberdade, sem comprometimentos, porque quaisquer mudanças radicais podem ser desfeitas ao final e tudo voltar à estaca zero. 

É claro que, como estamos falando da Dreamworks, a animação é de primeira, em um nível em que as feiçoes dos personagens humanos chegam a ser bizarra e tenebrosamente realistas - as de Rumpelstilskin foram as que me deixaram mais impressionado (e incomodado). Ainda há algumas boas sacadas aqui e ali, garantindo diversão descompromissada - mais como passatempo vespertino, do que como programa de horário nobre como era anteriormente.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Memphis Beat S01E03 - "Love me tender"

Videoclipe com enredo

Apesar de simpatizar com o trabalho de Lee e de Alfre Woodard, o que me mantém realmente seguindo a série é poder checar as locações e as imagens aéreas de Memphis e conferir quais elementos ligados à cidade ou à cultura sulista vão aparecer em cada um dos episódios.

A bola da vez são os burlescos concursos de Miss que os rednecks adoram. A trama da semana envolve o desaparecimento de uma provável vencedora do concurso naquele ano e a principal suspeita é uma de suas concorrentes . Os roteiristas até que se esforçam e bolam uma trama que vai e volta, trocando o tempo todo de suspeitos entre personagens no mínimo pitorescos. Só que entre as indas e vindas da investigação, não há muito para preencher o tempo.

Falta algo que realmente prenda a atenção e que crie uma história maior e paralela à trama específica do episódio. Pegue House como exemplo: nem sempre a investigação da doença em si consegue fugir de uma fórmula pronta, mas sempre há os comentários mordazes do médico e o desenvolvimento dos dramas pessoais de cada um dos personagens para manter o interesse. Em Memphis Beat, esse "recheio" ainda não conseguiu encontrar o tom.

A série apresentou até agora tramas aceitáveis, tem uma locação diferenciada e uma trilha sonora fantástica, mas não consegue prender a atenção. Volta e meio me pego fazendo outras coisas ou simplesmente divagando, mais ou menos como quando estou vendo videoclipes. Isso não é um problema para uma série do tipo que você pega um episódio isolado na televisão quando está zapeando à toa, mas sinto que Memphis Beat pode ser mais que isso.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Persons Unknown S01E05 - "Incoming"



Só faltam as "pessoas"


Alerta: o texto abaixo pode conter revelações não desejadas desse episódio que ainda não foi ao ar no Brasil

Persons Unknown acertou finalmente o passo e a história começou a ganhar cadência. Com a inesperada morte de uma das personagens e a introdução de outra, a história ficou mais dinâmica e finalmente colocou as personagens na posição de cadáver em potencial. Até então, tudo parecia uma experiência inofensiva. Cheguei a pensar até que tivesse um caráter "educacional" e que qualquer ameaça real seria neutralizada. Afinal, apesar dos perigos pelos quais eles passavam, nenhum realmente colocou-os numa situação em que efetivamente pudessem morrer - as que o fizeram, poderiam ser revertidas no último instante. Teria sido melhor se tivessem colocado essa carta na mesa logo no primeiro episódio, mas nunca é tarde. 

Contudo, falta agora à série conseguir fazer com que nos importemos com o destino dessas pessoas. Em termos técnicos, não há nenhuma falha fatal no roteiro - o ritmo está acelerado, a história fora da cidade falsa está avançando, viradas no roteiro estão aparecendo e eles não estão enrolando muito em cima delas - só que enquanto você não quiser saber mais sobre essas pessoas ou simplesmente passar mais tempo com elas, não importa o que aconteça em volta. 

Falta pouco para saírem do regular para o bom, mas ainda tem um bom número de episódios pela frente para isso. 

E aí? O que estão achando?

sábado, 3 de julho de 2010

Príncipe da Pérsia - As areias do tempo

Boa versão, mas não a melhor

Direção: Mike Newell
Título Original: Prince of Persia: The sands of time
Duração: 116 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jun/2010

Ao contrário do que costuma acontecer quando um jogo é levado para as telas, a história de Princípe da Pérsia ficou mais pobre na transposição. O príncipe do jogo é um personagem muito mais complexo que tem todo um caminho de redenção a percorrer e faz diversas escolhas equivocadas ao longo de sua jornada por motivos ora nobres, ora bastante egoístas. Fãs do jogo, como eu, vão certamente apreciar os cenários e as acrobacias, mas vão terminar a película com a sensação de que algo essencial ficou de fora.

Aparte a questão étnica, Jake Gyllenhaal não foi uma escolha acertada para o protagonista. O ator segura bem as pontas nas cenas em que precisa ser charmoso ou espertinho, mas nas outras em que uma cara mais "durão" é necessário, o seu olhar lânguido não impõe respeito suficiente. Gemma Arteton cumpre bem com sua função de brava mocinha, mas deixa um gosto de "requentado", porque lembra muito a Keira Knightley e sua Elizabeth em Piratas do Caribe (outra franquia Disney/Brukheimer).

Outra limitação do filme, que não chega a ser um erro, mas uma oportunidade perdida são as areias do tempo do subtítulo. Muito mal-exploradadas, as poucas cenas que fazem uso do recurso (que no jogo, por sua vez, é uma constante) não utilizam o potencial inerente do mecanismo, exceção feita a uma delas já perto do final.

As cenas de ação, no entanto, são muito bem feitas e as acrobacias, marca registrada da personagem, são executadas de forma o mais realista possível - com exceção às partes em que os efeitos especiais tomam conta, especialmente mais para o final, criando algumas situações forçadas que te jogam para fora da história e fazem você lembrar que é só um filme.

Os cenários, ainda que grande parte seja fruto de computação digital, consegue dar o tom de exotismo e fantasia que se espera de uma estória na Pérsia (aproximadamente o atual Irã) e o paralelo com a invasão do Iraque, apesar de um pouco forçada, funciona bem como contexto. A opção pelo sotaque britânico das personagens é no mínimo estranha - ainda que contribua (pelo menos para a audiência norte-americana) para aumentar o fator "exotismo" não faz muito sentido (o jogo funciona bem com o sotaque americano).

Fiquei um pouco decepcionado porque, diferente de quando você passa horas na frente do jogo, você não sai do cinema com vontade de correr por todas as paredes ou de pendurar-se nos postes que vê pela frente. Alguns vídeos de Parkour do Youtubeconseguem ser mais efetivos nesse quesito.

Ainda que tenha ficado abaixo das minhas expectativas, é um filme bem divertido e na maior parte da projeção dá para escapar momentaneamente para esse mundo. As areias do tempo, porém, vão certamente soterrá-lo no esquecimento não muito tempo após a saída do cinema.